Aja como uma Startup


Uma organização tem muito mais chances de ser bem-sucedida no processo de inovação se pensar e agir como uma startup e utilizar o método científico no desenvolvimento de produtos ou serviços. Para exemplificar, imaginemos um caso hipotético.

Sua organização quer implementar uma rede social corporativa para facilitar a comunicação entre departamentos, promover a integração de projetos e receber feedback dos funcionários. Parece uma boa ideia. O processo tradicional seria o de montar um plano de negócios com orçamento detalhado, convencer a diretoria dos possíveis benefícios e contratar uma equipe para implementar a tecnologia. Suponhamos que você obtenha autorização para ir adiante, contrate vinte desenvolvedores, invista R$ 3 milhões e demore dezoito meses para lançar o projeto.

Um mês após o lançamento, ao constatar que apenas 1% dos funcionários continua utilizando a nova ferramenta, acende-se uma luz vermelha. Você não tem ideia do que pode ter acontecido, pois o produto é excelente e contava com o apoio de toda a diretoria. Sua  complexidade é tão grande que fica difícil isolar as causas e entender o que falhou. Você perde o rumo, credibilidade e, mais tarde, o emprego.

Agora imagine utilizar o método utilizado por startups do Vale do Silício na sua organização. A premissa básica desse modelo é que, no mundo digital, é impossível saber a reação dos consumidores a uma novidade sem testá-la antes. A solução é desenvolver o produto utilizando o feedback dos clientes em tempo real. Vejamos como ficaria o exemplo anterior utilizando o novo modelo.
Antes de pedir autorização à diretoria para executar qualquer orçamento, você vai, pessoalmente, falar com cem pessoas e perguntar-lhes sobre os principais problemas que enfrentam no dia a dia da empresa. Esse feedback é tabulado em uma planilha.

Com o feedback instantâneo, você tem a possibilidade de mudar o escopo do projeto antes de começá-lo.

Analisando os resultados, você descobre que a esmagadora maioria dos
funcionários não utiliza redes sociais no computador, pois passa a maior
parte do tempo fora do escritório. Essa informação, que lhe custou apenas um dia de entrevistas, vai lhe salvar meses de desenvolvimento e alguns milhões. Ela indica, claramente, que a solução é um aplicativo para smartphones e não para PCs. Com o feedback instantâneo, você tem a possibilidade de mudar o escopo do projeto antes de começá-lo. O fato de as pessoas preferirem um aplicativo para celular é apenas o início; a hipótese precisa ser validada. O próximo passo, então, é desenvolver um protótipo com apenas três funções e testar a versão com mais cem pessoas. O uso de ferramentas de monitoramento lhe permite dizer quais funções são as mais utilizadas, e, com isso, você pode redefinir suas prioridades para as versões seguintes. Ouvindo seus consumidores em tempo real, o futuro começa a ficar claro.

A simplicidade dessa solução, que no jargão das startups chama-se teste AB, permite o desenvolvimento de produtos por um milésimo do custo e um décimo do tempo. Não é mágica, é ciência. E está ao seu alcance. Use-a.





Métodos científicos

Empreendedores do Vale gerenciam o lançamento de suas startups, que se parecem mais com experiências científicas do que com negócios tradicionais.

O método científico parte da observação sistemática de fatos, seguida da realização de experiências, deduções lógicas e da comprovação científica dos resultados obtidos. É basicamente a única forma conhecida para se validar hipóteses e avançar a ciência.

Abaixo o plano de negócios

Qual plano de negócios conseguiria prever que um jogo para smartphones, chamado Candy Crush Saga, iria faturar dois bilhões de dólares ao ano mesmo sendo distribuído gratuitamente? Ou prever que a maior oferta pública de ações da história seria de uma companhia de nome estranho, chamada Alibaba, vinda da China? 

Em 2009, a Nokia e a Blackberry dominavam o mercado de celulares, Facebook era uma rede popular em universidades, a indústria de táxi e hotéis nunca tinha ouvido falar de Uber ou Airbnb, “drone” era uma palavra oriunda da ficção científica e Apple era uma empresa que não fazia sombra à gigante Microsoft.

Por essas e outras razões é que o plano de negócios está em desuso. Tudo muda tão rápido que escrever algo tentando prever o futuro daqui a cinco anos é um exercício de futilidade. Não funciona, é querer se enganar.

Todas as startups em que eles investiram começaram atirando para um lado e acabaram acertando em algo totalmente diferente. O Youtube começou como um site de namoro, o Google não tinha a menor ideia de como monetizar seu mecanismo de busca e a Apple jamais imaginou que o iPhone a tornaria a empresa mais valiosa do planeta.

Portanto, ao que parece, a única maneira de seguir o que os consumidores querem é utilizando o método da tentativa e erro e reiterando seu produto inúmeras vezes durante um certo período de tempo. O objetivo é aprender rápido o que não funciona para focar-se no que funciona.Não é mais uma questão de preferência, é a única opção possível no mundo da tecnologia.


A falta de um plano de negócios liberta o empreendedor ou a equipe para focar naquilo que é mais importante: resultados.


O Hiperfoco

Por conta da hipercompetição, as startups do Vale adquiriram um hiperfoco, que faz com que elas se dediquem em resolver problemas grandes da maneira mais simples possível, sem inventar muita moda. Um problema de cada vez e em um mercado bem específico.

O foco começa onde atacamos o problema, colocando como prioridade o que tem mais valor, o que é mais importante para os clientes. No início do projeto podemos elaborar uma lista de entregáveis e atividades para depois ordena-la por grau de valor e importância e atacar um por um. Esta lista deve estar o tempo todo visível para todos envolvidos terem foco no que deve ser feito.


Questão de Timing

Errar o timing pode destruir sua oportunidade de inovar. Excelentes produtos fracassaram por estarem muito à frente ou muito atrás do seu tempo. Portanto, preste atenção no timing. Ele é tão importante para gerar uma inovação quanto o produto em si.

“Se você não se envergonhar da primeira versão de seu produto é porque o lançou tarde demais.” Reid Hoffman - Fundador Linkedin

No Vale é preferível lançar produtos e serviços inacabados, e, com base
em informações e dados recolhidos do próprio comportamento dos
consumidores, são feitas iterações(ciclos) com o intuito de provar hipóteses
e corrigir os erros. É como se o produto evoluísse em tempo real junto
com os consumidores. Pura tentativa e erro, claramente inspirada no
método científico empregado pelos pioneiros do Vale.


Responsabilidade

Responsabilidade ou Accountability (como é falado no Vale) é diretamente proporcional a transparência, credibilidade e maturidade. Você é responsável pelas suas ações e será cobrado por elas. Portanto, aqui, o melhor a fazer é não tergiversar ou inventar desculpas esfarrapadas caso as coisas deem errado. Admita o erro, assuma a responsabilidade e conserte-o para que não mais ocorra.


Errar é humano, mas... não demore para descobrir que errou. Fail fast!

“Quem nunca errou é porque não tentou criar algo realmente novo. ” Einstein

Na cultura do Vale, talvez pela influência do método científico no DNA das startups, que necessariamente pressupõe errar para testar e avançar suas hipóteses, o erro é considerado como algo normal. Ao contrário do que muitos pensam, ele não é glorificado, mas visto como um mal necessário, uma espécie de cicatriz de guerra, que irá forçar o empreendedor e sua startup a aprender mais rapidamente e mudar os rumos. Como diria o populacho: “Errar é humano, persistir no erro é burrice”.

O fracasso não é visto como um tabu, e sim como um meio para chegar a um fim. Os maiores empreendedores da história erraram, e muito, mas foram hábeis em consertar os erros rapidamente ou mudar de rumo. Há um ditado no Vale que diz: “Falhe rapidamente” em Inglês “Fail Fast”.


Diversidade


“Diversidade traz a multidisciplinaridade que é fundamental para a inovação.”

Diversidade significa colocar pessoas com diferentes habilidades,
culturas, ideias, ideologias e backgrounds em um mesmo ecossistema.
Diversidade traz a multidisciplinaridade que é fundamental para a inovação. Ter um corpo de funcionários heterodoxo traz perspectivas, competências e conhecimentos diferentes para a resolução de problemas complexos, além de estimular uma competição saudável entre pessoas com histórias de vida tão diferentes.

Diversidade não é mais uma palavra da moda. Tornou-se fundamental
para competir no mundo globalizado do século XXI.

Liberdade e autonomia

Inovação requer autonomia e ausência de microgerenciamento.
É necessário criar uma cultura informal e um ambiente sem censura, onde haja total liberdade de expressão e de ação para opinar, discordar e tentar caminhos diferentes. Empreendedores, acadêmicos, cientistas e funcionários precisam se sentir livres e soltos. Precisam saber que suas criações podem impactar o  mundo de forma positiva. Organização paternalista ou muita cheia de regras cria funcionários dependentes e não leais.

Nenhuma ideia pode ser censurada. É extremamente importante contar com um sistema de suporte em que os responsáveis por inovação possam obter feedback do ecossistema sem medo de serem ridicularizados. A Toyota com seu método Lean consegue implementar 1 milhão de ideias por ano, pois todos são responsáveis em contribuir com ideias, não apenas os líderes.

Inovações podem ser incrementais ou revolucionárias. Ambas têm o seu espaço. Nunca julgue algo antes de estudar friamente seu impacto e as dificuldades de implementação. Lembre-se de que inovação é execução; ideias não valem muito.


Escassez é ser Lean (Enxuto)

Para inovar, aprenda a obter resultados com um décimo dos recursos disponíveis. É muito fácil perder o foco com abundância de dinheiro, equipe inchada ou com tempo elástico demais.


Uma forma é verificar constantemente o que traz desperdícios, atrasos, bloqueios, deixar estes problemas expostos para os envolvidos e não escondidos. Com a contribuição de todos tentar elimina-los, a resolução destes problemas irão tornar a organização mais leve e enxuta otimizando ao máximo o tempo e demais recursos. Utilizar o Kaizen (melhoria contínua) da filosofia Lean.



Burocracia

Desburocratizar é ser competitivo. PONTO FINAL!

A tecnologia está evoluindo muito rápido, exponencialmente, e os
próximos vinte anos trarão mais quebras de paradigma que os últimos
dois mil. É hora de mudar também, antes que seja tarde demais.

Referência. http://www.valedosilicio.com/


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Sobre

Agile Coach, Scrum Master, Eng. de Software com formação em Administração de Empresas em Análise de Sistemas.

Paixão por Software e Administração, foi como unir fogo com gasolina, combustão!

Comecei a programar aos 13 e nunca mais quis parar de respirar software.

Acordo todos dias até hoje com a mesma empolgação de um garoto de 13 anos para criar ou aprender algo novo.
A arte de criar formas de vida virtuais #Tron

Thiago Torricelly

Thiago Torricelly